Quanto tempo esperar até que meu ócio se sacie? Não, não era meu o hábito ver passar o tempo, nem tão pouco deslizar nas canções dos dias, mas hoje, eis me aqui cavalgando no tique taque do relógio, galopando em melindrosas horas. Antes era uma dona de casa dedicada, fiel ao trabalho, petulante no véu das paredes, mordaz no que diz respeito ao desejo. Hoje me prezo à dama das Camélias, num fulgurar de desejo explosivo, num latente humedecer de humores. Saciando meu ócio, hoje manhã de quarta, conduzo-me á feira. Cansaço, eis o que me consome.
Eu já o conhecia, era um carregador do supermercado ao lado do meu salão de beleza preferido, mas ali de pé no metrô era apenas um homem forte, másculo, transpirando feromônios, atiçando meu palato. De pé: "Ó altiva divindade, senhor dos meus recôncavos úmidos, grande suserano dos meus desejos, venha à labuta e erga dentro de mim uma nova floresta de acácias soberanas"; eu pensava dentro de mim, em silêncio, mas com aquele aroma gritando em meu seio já fulgente. "Não sabe, ó moçoila o quanto este desejo se aflora. Levante-se e venha até meus desejos dolentes".






