quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Reafirmando minha entrega - Reaffirming my surrender



Assim se passaram três meses... Alguns chamam de ilusão, fantasia, imaginação, invenção de minha mente fértil, loucura, enlouquecimento. Algumas vezes cheguei a pensar que fosse, e que minha próxima parada seria no divã de algum analista sequioso por desvendar meus mistérios, desvelando para mim mesma o porquê de tanta intensidade e desejo. Tarefa inútil, posto que eu mesma já me dediquei a isso por anos, e tudo o que consegui foi definir com cada vez maior clareza minha posição e meu caminho: ser escrava. Meu lado obscuro, proibido, visto como deletério e permanente mal, se mostra agora como o mais rico e profuso nas variações do Prazer. Pertencer, obedecer, me dedicar, cumprindo à risca as regras que meu Mestre sutilmente, ou não, me impõe, sendo a maior e fundamental delas o de estar permanentemente à disposição Dele, para o prazer Dele, em dedicação exclusiva e constante.

A Menina da Rua da Praia

Gravura de João Werner (Artista Plástico)
  Ela pairava pelas ruas de Porto Alegre. A cada passo um olhar corria em sua direção. Podiam sentir o seu cheiro de sexo, aqueles tolos, que como uma nuvem ia se espalhando conforme ela progredia nos paralelepípedos da Rua da Praia. O Calor era intenso naquele início de verão e ela sentia, agora, uma gota de suor escorrer por entre suas pernas, conforme ia deslizando através de seus pelos, um arrepio lhe subia o corpo, fazendo com que se tornasse quase impossível resistir a espera de um orgasmo. Ela sabia que ninguém à sua volta poderia lhe  proporcionar o prazer desejado. Olhava em todas as direções e apesar de ver pessoas belas, com corpos perfeitos, nem homens, nem mulheres a satisfariam por completo. Ela tinha uma atração ímpar por ela mesma, desejava com afinco seu próprio toque e então começou a massagear lentamente seu pescoço enquanto caminhava.

Acredite em minhas ilusões

Nymphs and Satyr, William-Adolphe Bouguereau, 1873
Prefiro nem pensar.
Vou deixar o instinto falar por mim.
E seja lá o que fizer, vai ser assim.

Eu não me importo se você quebrar.

Eu sinto o pulso acelerar e a eletricidade fluindo ao seu redor.
O seu gosto em minha língua é sempre o melhor.
Viro as costas para a razão.

Eu não me importo se você quebrar.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Bom Dia, sua Vadia.






Todo dia eu dizia bom dia. Ela, entre sorrisos, desejava-me cordialmente bom dia. Era a alegria dos olhos, a felicidade dos ouvidos, o calor de sua mão era um sol. Ela dizia bom dia sobre o claro celeste ou sobre o nublado pesar dos dias fechados. Bom dia de segunda a sábado, domingo era folga do meu bom dia, entre toda a sua beleza sempre resplandecia um bom dia. 

Bom dia era dado entre seus olhos, quanto aos meus, com o passar dos dias se tornava mais um lascivo dia. Eu sempre olhava seus seios repousados, sem soutien, dentro da blusa branca. Era sempre um bom dia, mas o melhor do dia era sentir o aroma de seu pescoço no primeiro amplexo de bom dia. 
Todo dia era dado bom dia, mas cada dia meu tesão aumentava paulatinamente. Eu queria morde-la, arranha-la, lamber sua feminina presença. Cada bom dia se tornava doloroso, com o volume entre a calça recebendo os desejos de bom dia. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Manifesto dos Degenerados

aperte o play!!!



Aqui, sob este nefasto e degenerado palimpsesto eletrônico, jazem e renascem as palavras de poetas de um tempo perdido. Só resta a essas almas desencontradas no mundo, e iluminadas pela putaria, resgatar apenas as gotas de nossos repertórios, que tem a possibilidade de serem compreendidas, degustadas e sentidas pelos animais humanos: gotas geradas pelo gozo de nossas idéias. 

Nós que aqui gememos nossos sonhos, marafonas da gramática, gigolôs da fonética de palavras sujas, certamente não vamos ser compreendidos pela maioria, mas não duvide: impingiremos a vocês o castigo de sentir o pulsar orgástico de nossos conceitos, mesmo sem ter a capacidade de compreendê-los, vão sofrer sob o fardo de sua ignorância ter lhe permitido prazeres vãos, mas quem sabe apenas a safadeza te sirva de motivação, nisso consiste toda nossa esperança.

Tensões da Alma




Relações em geral, tem que ser movidas por tensões...não há motivação maior, do que a possibilidade de invadir o outro, a ilusão de penetrar em um universo.

As pessoas podem até literalizar, crendo que o estopim pras trocas "prazerosas" é a possibilidade de invadir um corpo...mas não, invadir corpos sempre foi muito fácil, a magia está mais nas almas arreganhadas que sustentam corpos seletivos, do que o contrário. 

Corpos arreganhados são aceitáveis, até que são honestos, mas provocam prazeres completamente cerceados pela tangibilidade, pelo gozo do lugar eternamente comum dos bichos. Não há por que se gabar de dominar a fisiologia dos homens, cadelas seriam orgulhosas pelas cópulas de seus cães, éguas se considerariam notáveis e misteriosas ao contemplar o seu poder sobre os cavalos.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Maschera nobile de Dracena


Não leia sem dar o play



Ninguém pode conceber o que se passa pela mente de uma mulher discreta. Ahhh, se os homens soubessem o quanto é mais sensato confiar nas mulheres de gestos e de palavras safadas, e o quanto essas são menos voluptuosas e suas intensidades encerram com seus verbos...

Dentro das fêmeas silenciosas o inferno implode com força similar, mas direção contrária ao vulcão de Pompéia...lavas descem e sobem contrariando a gravidade, então elas se calam, pois se abrissem suas bocas, não seriam mulheres, mas sim dracenas, soltando fogos a queimar tantos homens, quanto seus mitológicos maridos dragões já mataram, sem a expertise de saborear o gosto de seus petiscos. Elas, essas dracenas tem o requinte de saborear suas presas sem a exposição dos restos humanos...mulheres não precisam de troféus pra premiar sua feminilidade, precisam apenas do silêncio pra cultuar sua saciedade.