terça-feira, 20 de novembro de 2012

A Rainha Má - Parte 2

Obra Sfinge, do italiano Roberto Ferri


- Como ousas tratar-me desta forma? - urrava enfurecida para invasor.
- Aquiete-se, piranha real. Estou aqui como convidado, não é mesmo? - dizia isto com meus cabelos enrolados em seus dedos. Meu rei sorrira em aprovação, cúmplice, enquanto o anônimo caçador, acariciava meu pescoço com o verso de seu punhal.

Ventos gélidos varreram meus aposentos, aquela sombra escura gargalhava com deboche:
- Minha rainha, não pude ignorar o quanto és hábil, acredito que poderia demonstrar suas aptidões para este humilde servo de seus encantos...

Naquele momento, percebi que havia caído em minha própria armadilha, distribuíra tantas iscas pelo caminho que acabara por atrair alguém ainda mais depravado do que eu, e com músculos que facilmente sobrepujariam qualquer força de vontade.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Manifesto à Bunda

Grieg by Peer Gynt Suite Nos. 1, Op.46 : In the Hall of the Mountain King on Grooveshark
                         
   Bunda, latifúndio da alegria, redundâncias sagradas de mortal desejo. Bunda, montes de carne, elogio da beleza, felicidade nas curvas, nos derrapares dos meus olhos. Bunda, bundelícia, deleite de poetas e de mancebos, gládio dos guerreiros, simplesmente bunda. Bunda, abundante prazer, abundância de elogios, alvo dos olhos, aeroporto das fantasias. Bunda, bundestria, adestrada carne que vagueia lado a outro, abrindo alas, ferindo os olhos de quem deseja. Bunda, bundarte, repouso dos desejos de Goya, pouso dos desejos de Bosh, sonho de desejos de Renoir, pinceladas divinas obra máxima da curvilínea deidade feminina.

      Quando fazeres amor, mãos modeladoras passearão em apoteótica forma, moldando e modelando os círculos da feminilidade. Mãos que pousam, marcam e arranham, em forma de oração no cordel da inspiração onanista. Sim, a bunda marcada, riscada ao véu de noiva, vermelha e ardente, quente e sedosa, estrada de tijolos amarelos rumo ao reino mágico de sodoma.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

O Bom, a Bela e o Feio




Josafá era um bundão. Não somente este era o seu estado de ser. Josafá era um tremendo zero à esquerda, um bobo, um panaca. Aquela pessoa tão insignificante que a própria sombra dele se envergonhava da existência. Cabelos melados com gel, partido ao meio, óculos de armação grossa e escura, roupas cafonas, um terninho mal amado e surrado. Josafá era pedante, suas ações eram bisonhas. Josafá era o cara dos deveres, humilhado pelo chefe, abusado pelos amigos do trabalho. A Frase que mais ouvia era: "Josafá, termine o relatório pra mim, eu vou sair mais cedo hoje."Josafá tinha ódio da situação, mas a raiva ignorava os pensares e o sentimento de Josafá.  Josafá era tão ignorado, que os próprios pingos da chuva não o molhava, sua presença não era percebida na tempestade. 

Desafios... Challenges




Ser uma escrava à distância é um desafio e pode ser muito difícil às vezes. Foi o caso ontem. Meu Mestre esteve em minha cabeça o dia todo, desde que eu acordei. Só conseguia pensar Nele, em Sua voz, no Seu pau e em todas as coisas que faz comigo. Isto pode parecer que o que sinto por Ele é apenas tesão, mas é muito mais do que isso. Não se trata apenas de sexo, mas de necessidades físicas e emocionais que, por estar longe Dele não são plenamente satisfeitas, embora servi-Lo seja sempre prazeroso e gratificante.

Para muitos sou auto-suficiente, independente, introvertida, mas às vezes preciso de atenção e admito  isso. Não necessito ser o centro das atenções, na verdade prefiro estar sempre à sombra, fora dos holofotes, mas gosto de sentir que Aquele por quem tenho essa conexão tão forte, foca sua atenção em mim. Não me sinto mal em confessar isso, porque entendo que Dominadores e submissas necessitam de mais atenção que a maioria.

Calado...

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Cala sua boca que eu vou fazer você rezar entre minhas coxas, agora! Nem mais um minuto! Basta me sentir latejar pra encarar os fatos de outra forma. Não reclame mais da vida pois estou eu aqui de braços abertos te ofertando meus seios, e só eles podem te dar o alimento que você precisa.

Achou que as outras mulheres iriam me intimidar? Não me intimidam, suas paixões saem de seus corações enquanto a minha grita das entranhas, enquanto elas gozam contando cada qual com a intensidade permitida por sua religião, eu gozo pelos meus monstros e morcegos escondidos em minha caverna de paredes úmidas, que vai proferir seus gemidos em ecos cada vez que você sair e entrar.

E tomaram para si...

The 4 Seasons: Concerto No. 4 in F minor "Winter" by Vivaldi on Grooveshark

E tomaram para si a escadaria barroca.
A mesma que o tempo, em plenos direitos, tomou para si
para regozijar-se nos ásperos degraus de basalto negro.
Punham-se a dançar completamente despidos
senão pelas máscaras
poéticas
que lhes cobriam a face inexistente. 
Dor e prazer formavam um amálgama com as notas estridentes de um violino enraivecido,
enquanto o vento excitado soprava-lhes por entre os sexos expostos 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

A Rainha Má - Parte 1



Deslizava em passos delicados sobre o negro rio da urbe.Vangloriava-me, silenciosamente, da postura exuberante que adquirira após poucos meses de dança. Pé ante pé, notava mundos se desfazendo em meu caminhar. Cruel, satisfazia-me em penetrar-lhes os saltos e dilacerar os devotos da minha beleza. Maldita, deleitava-me na sorridente recusa e divertia-me torturando-os com desejos impossíveis.

"Tolo! Não existe amor. Traga-me o coração desta alva donzela. Preciso devorar seus sonhos, sua bondade. Ordeno seu sacrifício, em meu nome, pois sou eu, a mais bela"

Suguei toda a vida do fruto rubro e sangrento, lambuzei meus lábios com a vitória de meu sombrio feitiço.